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domingo, 20 de abril de 2014

"A flor, O Casaco e a Sapatilha" ou "Ela" ou "A Viagem"



"Na noite onde todos estamos, 
o sábio esbarra com a parede,
 enquanto o ignorante fica
 tranquilamente no meio do quarto." 
(Anatole France)

Sou eu que contemplo os ensejos realistas de cada indivíduo. Não sou nenhuma deusa, mas te conheço bem. Talvez, pra você, eu seja a divisória do escritório ou a cerca da sua intimidade. Por ser estrutura me atraem os detalhes: o cheiro vindo do banheiro após banhos sofisticados, o perfume renovado, a acidez das lágrimas evaporadas, as cores desvanecidas, as aquarelas diluídas. Esta é a minha forma de  estar presente e, ao mesmo tempo, invisível.  

...
Reconheço-me acompanhada ao assimilar os monólogos neuróticos, as conversas proibidas, as aspirações, a linguagem não verbalizada, o olhar perdido na paisagem luz. O Sexo.
Tenho experiência e, por isso, sei que os casais mais apressados não esperam pelo champanhe. A cama trepidava com a ferocidade dos dois felinos, sob pena de ilustrar o pensamento corrupto do hóspede vizinho. Confesso que admiro enlaces passionais, pois são nos atestados afetivos que se dá a morte da solidão.
Ao lado do rodapé, uma corriqueira sapatilha. No cabideiro, o casaco esportivo. O serviço do hotel traria o jantar. Ainda haveria apetite?

...
A moça sentada estava tão emudecida que assemelhava-se a uma exótica estátua renascentista. As suas pernas adiposas já não eram as mesmas dos abundantes registros. A flor vermelha adornava sua crespura, sua coroa. Ainda no quartinho de charme imaturo, ela acertou os últimos detalhes do empréstimo: uma princesa, um príncipe e um cartão de time futebolístico?

...
Um ruído primitivo gritava do lado externo: era a chuva. Atenta a cada pessoa que atravessava o portal do bar, ela parecia sentir visceralmente a investida do tempo. O seu rosto era o rascunho de insegurança e ansiedade.
           
 Um Jovem bonito, de casaco esportivo e aliança no dedo, chegou perfurando sua projeção. Faria questão de adentrar ao núcleo pouco corrompido?
_ OI. _ Ela disse com o olhar enviesado.
_ Demorei muito? _ Ofegante e visivelmente tímido, disse.
_ Nada. Cheguei tem pouco tempo também. Senta aí, véi._ Mentiu, lançando mão de uma coloquialidade quase inapropriada. Um silêncio constrangedor permeou a interlocução.
_ Toma o cartão. Usa ele de boa, porque amanhã eu vou viajar. _ Já sentado, ele olhou para a mão a segurar a credencial azul.
_ Pra onde? _ Ela perguntou por impulso. Se lembraria disso no choro da antemanhã.
_ Vou para a Europa com a minha NOIVA.
Estirada na Champs-Elysées! _ Endurecida pela fala do rapaz, ela brincou.
_ Pô... Falô então. Tenho que ir. Quando eu voltar a gente combina de você me devolver. _ Riu constrangidamente e se despediu não tendo mais repertório.
_ Belezinha então. Tchau.

 O cartão solitário foi depositado em cima da pequena mesa. Ela sentiu o casaco molhado ao abraçá-lo. No entanto, sem saber muito bem, as suas paredes se irrigaram sob tensão involuntária.
 O divo foi embora, atravessou a rua e entrou em seu carro branco. Meio estática, ela contou as moedas para a passagem. Voltaria de ônibus, leria “Perto do Coração Selvagem”, idealizaria um amor romântico e, como o último ato, conjugaria os seus verbos no futuro do pretérito. O mundo só era possibilidades e não saberia que, naquela noite, as suas fotos dormiriam sozinhas. Horas mais tarde, ouviu-se um comentário entre garçons:

_ Lembra da moça gorda? Aquela que esperou um tempão, sô... Da flor vermelha! Pois é,  morreu atropelada na rua de cima. 


Sabe aquele trecho do poema Infância do Drummond que ele diz "Eu não sabia que a minha história era mais bonita que a de Robinson Crusoé" ? Então, eu estou me sentindo assim. Foi impressionante como um simples relato da minha vida, sem detalhes, se transformou nessa crônica maravilhosa escrita pelo Raphael Brian, autor do blog Eu me transformo em outros.

Eu e minha vida brega e cheia de sonhos. A Macabea e sua dor de existência, cruelmente ignorada. Nós duas juntas numa só. Obrigada, Rapha! A satisfação de ter sido transformada em literatura é indescritível. É uma forma de sermos eternizados.


terça-feira, 4 de março de 2014

Meu lugar de ser feliz*

Dezembro de 2012
7 de dezembro de 1992. Há 20 anos Deus abençoou minha família com uma casa neste bairro em que eu passei a maior parte dos meus dias; onde eu tenho amizades da infância, da escola de ensino fundamental - e que é a minha segunda casa-, dos tempos da Igreja Católica e  dos meus vizinhos, mesmo que muitos deles, sem motivos esclarecidos, deixem de dar pelo menos bom dia. Mas existem aqueles vizinhos que você sabe que são  seus parentes imediatos, como o Luiz (Galooooooo!).

Meu bairro tem o nome feio, mas um valor imensurável em sua essência. Aqui, há 20 anos, estou escrevendo a minha história. Agradeço a Deus, a vida e as pessoas que me dão a alegria de morar na casa mais bonita do mundo: a minha casa azul, com pés de cana, varanda com rede e passarinhos cantando. Meu lugar de ser feliz!
 
Janeiro de 2014

*Texto escrito em dezembro de 2012, no Facebook,  em comemoração aos 20 anos da minha mudança para esse lugar.






sábado, 29 de junho de 2013

O medo que ainda me persegue


Todo mundo já teve ou ainda mantém dentro de si algum medo. Eu tenho vários. Alguns perderam a força ao longo do tempo, como por exemplo o medo de lagartixa, que começou quando uma dessas malditas caiu em cima da minha cama. Também não suporto rato, sapo e cobra. Além do nojo, esses três são capazes de tirar o meu sossego. Não gosto nem de vê-los mortos.
Há amigos meus que possuem uns medos que valem a pena ser citados: de galinha, de bonecas, de trovões e relâmpagos; medo de barata, panela de pressão, escuro e tantas outras coisas. São tantos temores que chego a me sentir a maior das corajosas diante de alguns deles.

A maioria das crianças desenvolvem certos medos que, na fase adulta, tornam-se motivos de boas risadas ao serem relembrados. O meu, embora eu comente com um certo humor, ainda me persegue até os dias de hoje. E tudo começou com alguma reportagem da televisão, quando eu tinha seis anos de idade. Não sei se foi impressão minha, mas bastou eu me dar conta da possível existência do assunto que ele se tornou um dos mais falados na época. Então, toda semana era uma reportagem especial em algum programa jornalístico, o que me deixava ainda mais impressionada. Prova disso é a vinheta do Globo Repórter e do Fantástico me remeterem ao tempo em que eu não conseguia nem ouvi-las de tanto medo. Eu levantava correndo pra mudar de canal. O azar era tão grande que nem televisão com controle remoto eu tinha. Daí o coração acelerava por duas razões: pelo desespero que a reportagem me dava e pela correria.

Atualmente, continuo sem conseguir assistir uma reportagem sequer, ou ler algum artigo científico e principalmente discussões sobre o assunto. Um céu estrelado, para mim, nem sempre é motivo de beleza, pois ele pode conter uma surpresa bem desagradável de acordo com a minha imaginação que, nesse sentido, não mudou nada da infância até aqui. Os aviões que passam à noite ajudam a reforçar essa fantasia; suas luzes piscando, o próprio ruido em si quando ele está se aproximando...
Ainda não conheci alguém tenha o mesmo pavor que eu. Ou, talvez, ninguém queira assumir. O fato é que  o medo que ainda me persegue é o medo de ET.

A lembrança que tenho da fase mais cruel desse medo é que em 1996, em Minas Gerais (para o meu desespero) surge o caso do ET de Varginha. Sendo assim, a possibilidade de eu encontrar com algum era grande. As reportagens ficaram constantes e o meu medo aumentando proporcionalmente a elas. Com isso, as pequenas coisas da minha vida começaram a ser afetadas: eu já não ia mais sozinha do quarto até o banheiro. "Mãe, vai comigo. O ET vai me pegar"; dormir com a luz acesa e se cobrir por inteira com a coberta, como se debaixo dela fosse o lugar mais seguro do mundo;  quando eu acordava no meio da noite, corria para os pés da minha mãe na cama.

Por causa desse medo eu demorei um pouco mais para abrir a cabeça de que eu deveria estudar o sistema solar, temendo sempre que o termo extraterrestre viesse à tona. Continuo não gostando dessa palavra, mudando de canal ou fechando a página da internet quando ela é citada. Revistas de ufologia? Não quero nem saber das novidades! Já me basta a afirmação "o universo é grande demais para haver vida somente na Terra."

Para escrever esta postagem, fiz uma busca com a palavra-chave ET de Varginha. Não foi uma leitura tranquila, confesso. Se fosse para mim a aparição, não sei se eu teria sobrevivido para contar o caso, tamanho o susto. A descrição da Wikipédia:

"Conforme os programas de televisão e as home pages que apareceram depois do Incidente de Varginha, a criatura extraterrestre possui as seguintes características:
Cabeça grande e careca;
Olhos grandes, vermelhos e sem pupila;
Língua preta, estreita e comprida;
Três pequenas saliências na cabeça parecidas com chifres, um no meio e dois ao lado;
Pele marrom ou castanho e escura, coberta por uma oleosidade brilhante;
Veias salientes e vermelhas no rosto, ombro e braços;
Três dedos nas mãos e pés grandes com dois dedos e sem unhas;
Aproximadamente 1,60 m de altura e produzia um som parecido com zumbido de abelha.Essas características correspondem àquelas do "Gray", um tipo famoso do extraterrestre comentado pelos ufólogos americanos." (http://pt.wikipedia.org/wiki/Incidente_de_Varginha Acesso em 28/06/2013).

Nada do que se refere a ETs foi visto com bons olhos por mim, salvo o marciano Marvin, personagem da Looney Tunes, mas por um detalhe que eu só fui me dar conta anos depois. No episódio Haredevil Bugs, do Pernalonga, ele quer destruir a Terra, dizendo que esta atrapalha sua visão para Vênus. Como só prestei atenção no nome do planeta, achei que ele era de Vênus. Outro detalhe é que Marvin não possui traços comuns de um alienígena: ele possui um rosto negro do qual só se podem ver os olhos grandes, uma roupa de soldado romano (referência a Marte também ser o deus da guerra romano) e um par de tênis de basquete. 


Há alguns anos, enquanto eu descia a rua da minha casa, vi um avião e, perto dele, uma luz muito forte, parada. Um vizinho também estava observando, quando de repente a luz se moveu rapidamente à direita da aeronave que se aproximava e desapareceu. A luz era muito maior do que aquelas do avião e que ficam piscando. O homem então começa a me contar uma história de um parente dele que viu um disco voador uma vez, etc, como se eu fosse corajosa o bastante para ouvir esses casos. Desci a rua correndo e entrei pra casa antes que o suposto OVNI pudesse chegar mais perto.

O medo que ainda me persegue pode fazer com que uma frase simples do Chaves "Já chegou o disco voador" possa surtir um efeito destruidor se forem ditas para medrosos assumidos como eu.
Eu não sei se isso vai passar. Talvez não. Se for verdade que acontecem visitas de ETs aqui na Terra, eu só espero que eu não seja testemunha disso. Há relatos de gente que foi abduzida. Por ora, só posso dizer que quem me abduziu foi esse medo besta!

                           

"Oh seu moço do disco voador,  me leve com você pra onde você for.
Oh seu moço, mas não me deixe aqui enquanto eu sei que tem tanta estrela por ai." Deus me livre, Raul Seixas! Deus me livre mesmo.





sexta-feira, 17 de agosto de 2012

O eclipse


O sol apareceu antes do esperado. A terra, fora de sua verdadeira órbita,  timidamente celebrava a chegada dele.  Em Belo Horizonte, uma linda manhã de sexta-feira que podia ser vista parcialmente da varanda do 5° andar.
O astro rei foi sua companhia por alguns minutos. Logo escondeu-se. A natureza, em agradecimento, faz desabrochar o mais bonito girassol, de pétalas e movimentos divinos. A ausência do sol  foi por uma boa razão, pois o que viria depois disso seria um espetáculo de grande proporção, de formosura imensurável.

O astro retorna. Não chegou sozinho. Trouxe consigo aquela que representa a noite: a Lua. Beleza Indescritível.
A terra há muito tempo esperava por este encontro. Nada foi premeditado. Em perfeita translação ela se aproxima e consuma a reunião mais esperada: O eclipse. Os três alinhados. O girassol assistia.
No entanto, à terra já não importava mais o sol, estava frente à frente com ela, a dama de todas as noites.  Desprovida de encantos individuais, pediu ajuda. Seu brilho é devido ao rei, pois ele é quem a torna tão iluminada.
Não demorou ser atendida. Ele manifestou sua grandeza como deveria. Em saudações à terra, dizia junto à lua: "Olá minha amiga, nos encontramos novamente!  Pouco tempo se passou, por onde devemos começar? Parece que foi eterno.*"
Naquele instante, no espaço, só havia aquela trindade. No 5° andar, a bela, o músico, sua guitarra e a espectadora.

Luna, a guitarra Fender Stratocaster Signature Jeff Beck

* Verso de "my sacrifice", do Creed. A canção que o músico tocava no momento do encontro e foi citada como a saudação.





domingo, 23 de outubro de 2011

Cuidado ao usar as redes sociais*

Basta um simples clique para estar conectado com o mundo. Tem sido assim nos últimos anos, devido ao crescimento da internet. Isso tem feito com que as pessoas utilizassem desse meio para obter informações sobre diversos assuntos e até mesmo se relacionarem.
No Brasil, o grande destaque deste crescimento vai para as redes sociais. Orkut ( o pioneiro), Twitter, Facebook, Tumblr e MySpace são grandes exemplos. A cada dia, novas pessoas se aderem a esses sites, fazendo com que informações cheguem mais rápido e, muitas vezes, de forma negativa. Isso porque há usuários que não ponderam o que deve ser publicado ou não na rede. Basta uma gafe e, em segundos milhares de pessoas tomam conhecimento do que poderia ficar no oculto. Aliás, deveria.
A estudante Alessandra Souza, vivenciou um período de clausura após ser ridicularizada em um site de relacionamento. Na ocasião, o namorado dela postou um video em que eles estavam em "um momento íntimo", por assim dizer. "Permiti que ele nos filmasse sem pensar que isso 'viria às claras'. O que eu faço na minha intimidade não deve ser de conhecimento de outra pessoa. Portanto, sou contra a exibição exagerada na rede a fim de se tornar uma pessoa popular, mesmo que a 'duras penas'", disse.
É de responsabilidade do usuário o controle das publicações. Assim torna mais saudável e agradável manter-se nessas redes, cuja a finalidade é fazer amigos.


* Esta foi a redação que escrevi no Enem 2011, com o tema Viver em rede no século XXI: Os limites entre o público e o privado, apresentando proposta de conscientização social que respeite os direitos humanos. Selecionando, organizando e relacionando, de forma coesa e coerente, argumentos e fatos para defender o ponto de vista.
Fiquei devendo, sei disso. Não sei se a minha proposta será aceita. Mas ainda tenho as minhas esperanças...

sábado, 8 de outubro de 2011

E o primeiro pedaço vai para...


Eu adoro comemorar aniversário! Se pudesse, todos os anos, eu faria uma grande festa convidando todos aqueles que fazem parte da minha vida. Os meus pais, ao longos desses quase 23 anos de minha "gloriosa" existência ( diga-se de passagem), sempre que puderam não deixaram esta data passar em branco. Recordo-me de muitas festinhas minhas e, acredite, mesmo aquelas em  que eu ainda era muito pequena, por exemplo na que eu estava fazendo apenas dois anos.

O tempo foi passando, mais aniversários chegando. Algumas coisas durante essas festas se tornam regras e chegam a nos causar constrangimentos, como  o tal   refrão " Com quem será que ................. vai casar?" Principalmente se o menino que faz o seu coração bater está presente. O nome dele é introduzido, como já aconteceu com o nome do Vinícius em  algumas das minhas festinhas: "É com o Vinícius que a Clarisse vai casar!" Quatro vezes foi assim: Aos 14,15,16 e 17 anos.
Mas coisa pior já aconteceu. E como é trágico se sentir mal no dia que é só seu. E de novo foi por causa de uma regra na comemoração.

Brincando, brincando e ao mesmo tempo dizendo verdade, acho que esta oferta não cabe a mim fazê-la porque não costumo ser bem sucedida. E a minha intenção, como a de todo aniversariante, é sempre de agradar quem a recebe. Simbolicamente representa um aspecto de afeto e uma certa preferência. Estou falando do maldito Primeiro pedaço de bolo!

Quando eu estava completando 16 anos, na comemoraçãozinha que a minha mãe fez para mim estavam presentes os meus maiores amigos da época. Ao cantarmos o parabéns, a primeira regra constrangedora apareceu: "Com quem será?"  O noivo escolhido: Vinicius, aquele por quem eu era apaixonada. Apesar de as coisas terem mudado hoje em dia e ele acabou se tornando o meu irmão. Mas esta é outra história.

 Hora de partir o bolo. O momento crucial e também aquele que me fez sentir envergonhada por um tempo: E o primeiro pedaço vai para... eu, na minha simplicidade disse: Pro Vini. Pra minha vergonha ele disse: "Não quero. Dá pra sua mãe."
Mesmo com um choro engatado, consegui repetir: mas eu estou te dando. Toma. "Não... Dá pra sua mãe."
Tomando as minhas dores, os meus amigos que de certa forma ficaram indignados com a cena por conhecerem a mim e a ele, o repreenderam até que ele pegasse. Mas pra mim, a graça já tinha acabado. Também pudera, foi na frente de todo mundo. Era só um pedaço de bolo, mesmo que fosse o primeiro pedaço. Achei que ele não poderia ter feito assim. 
Passei o dia seguinte chorando a cada lembrança da vergonha que me vinha à memória, e pensando que eu deveria ter entregue o bolo no estilo torta na cara do extinto Passa ou Repassa do Sbt.

Seis anos se passaram, e eu estava fazendo 22 anos. Este foi um dos meus melhores aniversários, o que não impediu pra que eu revivesse a experiência.
O refrãozinho já não constrangia mais porque o "noivo"  agora era uma realidade.
Ao meu lado o Vinícius e os meus pais e, à minha frente, os mesmos amigos de outrora. Mas ao término dos parabéns, do com quem será,  a frase que nunca se cala. Eu disse que seria para mim mesma e que eles, os convidados, que disputassem o restante do bolo, mas logo  me retifiquei e disse que era brincadeira. Antes fosse.  "E o primeiro pedaço vai para"... Perguntaram-me. Eu disse com a mesma simplicidade  e o desejo de agradar também, porém não esperava a resposta: "Não... não quero não!" É... Aconteceu de novo, mas nem foi o Vinícius.

Sem querer acreditar no que eu acabava de ouvir, olhei pro Vini e, certamente, todos voltaram no tempo.
A minha mãe sabendo o que isso poderia causar dentro de mim outra vez, levantou a voz em minha defesa. Mãe é fogo!
Ah, mas o choro foi inevitável. A mesma vergonha  se instalou em mim, mas era diferente. A raiva não era de quem o causou desta última vez, mas digo que ter revivido essa recusa novamente não foi fácil. Entreguei o bolo pro Vinicius mesmo, primeira pessoa que vi na hora. Acho que até pra não jogá-lo no chão. Desta vez ele não recusou, pois sabia da repercussão passada.

Sobre o autor do não ao bolo no último aniversário, a mim não cabe julgamento. Ele se  desculpou e disse que não sabia do que já tinha acontecido comigo. Sem problemas. Outras festinhas de aniversários virão e o primeiro pedaço do bolo? A gente deixa pra lá...


segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Voltando a ser menina

Fotografia gentilmente cedida por Bel Gasparotto
Uma das coisas que ajudam a me tornar verdadeiramente grande é quando eu tenho a oportunidade de voltar no tempo, sobretudo na infância, Voltando a ser menina. De tempos em tempos a vida me dá esta oportunidade.

Tenho paixão por bonecas e a Barbie é uma que me fascina. A minha primeira eu ganhei aos três anos de idade, mas ela teve o seu preço. A condição pra que eu pudesse tê-la era deixar de chupar bico. Minha mãe me disse que eu tinha que entregá-lo à moça da loja como forma de pagamento e assim eu fiz.
Ela não era original, mas era tão bonitinha! Tinha vestido de festa, uma bolsa e um par de sapatos, ambos azuis. Ainda guardo na memória a emoção de segurar a caixa dela pela primeira vez. Foi como se eu estivesse abraçando o mundo.

Os sapatos dela foram colados, pois sempre que eu os perdia, o choro era inevitável. Idéia do meu  pai.
Com o passar dos anos, ganhei outras bonecas parecidas com a Barbie. A primeira original só veio aos onze anos, prêmio da promoção que eu havia participado.


Fiquei mais velha e a admiração pela boneca continuou. Claro que as brincadeiras cessaram, embora eu não vejo problema algum em pentear o cabelo dela. É até uma forma de fazer o que na infância era impossível, já que ao molhar as mechas, elas se ressecavam. As bonecas similares a Barbie tinham este problema, mas eu gostava de encher o tanque para servir de piscina pra elas.
Há 4 anos me vi voltando a ser menina de novo. Na ocasião, até o porta voz do tempo foi muito bem escolhido pela vida. Como presente de aniversário de 19 anos, eu receberia uma Barbie dele: O MédicoDepois desta promessa, foi gerada em mim uma grande expectativa em receber tal agrado. Fiquei igual a uma menina mesmo.

Por motivos pessoais nossos, o envio do presente era frequentemente adiado. O que não me deixava desistir é que eu sabia que ele cumpriria com o que disse assim que pudesse, e a hora chegou! Em maio deste ano ( aos 27 dias, para ser mais exata) ele me deu a notícia de que ela em breve chegaria. Pude vê-la quando ele me mostrou pela webcam. Linda!!! Ele disse que sabia que eu ia gostar. Não errou.
 A postagem do presente  só foi feita quase dois meses depois, diria eu que  foi no tempo perfeito.
O médico me mandou uma mensagem dizendo que na Segunda-feira daquela semana ela chegaria aqui. Ah, mas os Correios sabiam da importância desta entrega com certeza! No Sábado, ela foi entregue no meu trabalho. Não pude me conter. Eu fui invadida por uma imensa alegria que, segundo a minha gerente Diana, dava gosto de ver. Eu mal conseguia segurar a caixa, assinar o papel muito menos! A Diana fez isso por mim, além de abrir a caixa do Sedex devido a  minha tremedeira.
Mesmo com receio de estar incomodando-o, liguei para ele a fim de que soubesse o quanto eu estava feliz e o quanto a achei linda!

Foi notável o cuidado com que foi escolhida. Ele se lembrou dos detalhes ao me contar sobre a boneca, me disse que havia outras tão bonitas quanto, mas já que eu havia me decidido por aquele modelo., a Médica, pra que eu sempre pudesse me lembrar dele. A menininha, a paciente, subliminarmente representaria a "pequena” (adjetivo pelo qual ele me trata).

Quando eu escrevi sobre este Médico e toda a sua representação na minha vida, ele disse que retribuiria com  tempo e capricho com que eu merecia. E conseguiu, viu amigo!  Hoje eu não posso pedir outra coisa a não ser que Deus te conserve sempre assim : esta pessoa grandiosa que você é.

Querido Vagner, agradeço pela alegria de valor imensurável que me você me proporcionou. Como recompensa, eu gostaria que a sua vida, nas minimas coisas, fosse repleta de toda a intensidade que houve em mim ao receber seu presente. Prometo cuidar bem da minha doutora.

Voltando a ser menina eu reafirmo que um dos segredos das grandes conquistas está na espera . O tempo tem seus truques para fazer as coisas serem perfeitas. Estes foram os quatro anos mais bem esperados que tive!

Tudo fez formoso em seu tempo. ( Eclesiastes 3:11)




domingo, 1 de maio de 2011

Surpresa!!!

" O amor sobrevive de surpresa." Ouvi uma vez e concordo. Sou movida a surpresas e elas nem precisam ser grandes, até porque as menores são as que fazem diferença, como a flor roubada na calçada durante o percurso, um sms no meio da tarde, chegar na sua casa de surpresa num dia incomum. Isso vale para os dois lados, homem e mulher. Eu mesma já fiz surpresas e fui bem sucedida em muitas ( ainda bem!).
Outro dia, vi este video e achei de uma sensibilidade infinita do rapaz, além da criatividade, é claro. Se é verdade, não sei. O padre Quevedo diria que " Non Ecziste" e eu também, talvez. Não por estar desacreditada, mas pela diferença entre os homens e as mulheres, pelo jeito que nós mulheres fantasiamos as coisas às vezes.
Enfim... A supresa deu certo:



Mas e quando a surpresa não dá certo? E em vez de surpreender o outro,  nós ficamos decepcionados:


Par de alianças de casamento: $200
tomar cerveja no jogo de basquete: $5
passar vergonha na frente de milhares  de pessoas: NÃO TEM PREÇO!!!

                                                            

"A alma é feita de surpresa.
Sua virtude é o inédito."




domingo, 17 de abril de 2011

Bunda dura, sim!

Gordinha? Nem pensar. Tem que ter bunda dura!
Recebi ano passado um e-mail do meu amigo Tiago Gonçalves atribuído ao Arnaldo Jabour, com o título "Bunda dura", que em um trecho dizia assim:

"Tenho horror a mulher perfeitinha. [...] Bunda dura: As muito gostosas são muito chatas. Pra manter aquele corpão, comem alface e tomam isotônico, portanto não vão acompanhá-lo nos pasteizinhos nem na porção de bolinho de arroz do sabadão. Bebida dá barriga e ela tem H-O-R-R-O-R a qualquer carninha saindo da calça de cintura tão baixa que o cós acaba onde começa a pornografia: nada de tomar um bom vinho com você. Cerveja? Esquece!Portanto: É melhor vc ter uma mulher engraçada do que linda, que sempre te acompanha nas festas, adora uma cerveja,gosta de futebol, prefere andar de chinelo e vestidinho, ou então calça jeans desbotada e camiseta básica , faz academia quando dá, come carne, é simpática, não liga pra grana, só quer uma vida tranqüila e saudável, é desencanada e adora dar risada; Do que ter uma mulher perfeitinha, que não curte nada, se veste feito um manequim de vitrine, nunca toma porre e só sabe contar até quinze, que é até onde chega a seqüência de bíceps e tríceps. Legal mesmo é mulher de verdade. E daí se ela tem celulite? O senso de humor compensa. Pode ter uns quilinhos a mais, mas é uma ótima companheira. Pode até ser meio mal educada quando você larga a cueca no meio da sala, mas e daí ? Porque celulite, gordurinhas e desorganização têm solução. Mas ainda não criaram um remédio pra FUTILIDADE! E não se esqueça...Mulher bonita demais e melancia grande, ninguém come sozinho! Arnaldo Jabour"

Encaminhei aos meus contatos e recebi uma resposta inesperada de um deles: "APOIADO!!! VOCÊ ENQUADRA EM QUASE TUDO. QUER SE CASAR COMIGO?"
E como foi especial a resposta! A princípio, a minha intenção era muito menor do que casar-me com o remetente da resposta. Um beijo já seria o suficiente e ele nem tinha acontecido ainda.

Acho que foi só um encanto da parte dele e que passou rápido. Pouquíssimos meses depois de enquadrada a esse padrão descrito no e-mail, fui cobrada a me tornar uma bunda dura, sim. "Você tem que E-M-A-G-R-E-C-E-R-!" É... fui chamada de gorda, assim, na lata! É de lascar, né? Ah, e o que eu fiz? Chorei amargamente, afinal eu fui reconhecida anteriormente por não estar associada à futilidade e vista além de onde olhos podiam ver.
Quando as pessoas saem do contexto de superficialidade e conhecem a nossa realidade, o encanto passa mesmo.  Nunca me preocupei com essa questão visual. Para mim, vale mais o coração. O que não quer dizer que transmitir uma boa imagem não seja necessário, mas isso fica em segundo, terceiro, quarto plano, na minha opinião.
É bem verdade que estou perdendo a forma arredondada nesses últimos dias, mas nada debaixo de cobranças ou mesmo de sofrimento, como foi há dois anos.

Eu, "Bunda dura"? Jamais! Sinto preguiça só de pensar. Não ando vestida pra matar! Sou aquela da camiseta, calça jeans e tênis AllStar e o coração cheio de amor pra dar. Simples assim.
Eu, nada " Bunda dura" na calçada da Av. Afonso Pena, em Belo Horizonte
"Antes de você entrar na minha vida
De se decidir por mim
Por minha história
Haverá de ter clareza de saber bem
Quem eu sou
Pra depois não me dizer
Ter se enganado
Eu não posso ser o que você quiser
Sou bem mais do que os seus olhos
Podem ver
Se quiser seguir comigo
Eu lhe estendo a mão
Mas não pode um só momento
Se esquecer[...]
Antes do seu amor chegar
Um outro amor já me encontrou
E me envolveu com tanta luz
Que já não posso me esquecer

Se mesmo assim quiser ficar
Seja bem vindo ao meu lugar
a este coração que resolveu
Plantar-se inteiro em Deus
E hoje não quer mais se aprisionar."
(Marcas do Eterno, Fábio de Melo)



quinta-feira, 7 de abril de 2011

Roubando a cena


Noite de segunda feira, dia de ouvir O músico. Era final de ano e as luzes do natal estavam a iluminar.
Neste encanto todo que há nesta época, aquele que mexe com a imaginação das crianças, o Papai Noel, estava sentado em sua poltrona à espera dos pequenos para tirar uma foto com ele.

Não sou mais pequena e nunca acreditei nesse velho. Minha mãe sempre temeu uma decepção da minha parte se o meu pai, por algum motivo, não pudesse me dar presente. E nem fez falta essa crença.

Não posso negar que há uma beleza extraordinária em todo esse contexto natalino. Isso me levou a criar coragem para tirar uma foto com o Papai Noel, mas nem foi a primeira vez que eu fiz isso.

Enquanto eu decidia se ia ou não tirar a foto, eis que surge alguém roubando a cena em que o Papai Noel seria o protagonista: O próprio fotógrafo.
Eu estava embalada demais nos acordes do Músico tocando Por onde andei, fixei os olhos no fotógrafo e percebi que ele é A CARA do meu querido Nando Reis!
E foi até boa esta observação que fiz. Ouvi mais umas quatro canções dele seguidas, ao vivo.

Fui até o quiosque saber se eu poderia tirar uma foto com o velho, mas ele já tinha perdido a graça. Agora seria tirar foto com o "Nando Reis", porém o Papai Noel poderia aparecer, se quisesse!
O fotógrafo, muito simpático, aceitou a proposta. As meninas com trajes natalinos questionavam o quanto eu era fã do Nando para querer tirar foto.
De longe, Lucas, Aline e o Músico, observavam a cena.

Quando eu mostro a foto a qualquer um e digo que é o Nando e depois de revelo que não é, só ouço: "Não é? Tem certeza?"
Uma ex professora minha chegou a comentar "você é psicopata com o Nando Reis, heim!"
A você, Alex, que andou roubando a cena do Papai Noel, eu agradeço pela atenção e dedico a você uma música daquele que tanto se assemelha contigo, com a sua inicial: A letra A do seu nome.
Fim do ano tem mais?


A letra "A" ( Nando Reis)


A letra A do seu nome
Abre essa porta e entra
Na mesma casa onde eu moro
Na mesa que me alimenta
A telha esquenta e cobre
Quando de noite ela deita
A gente pensa que escolhe
Se a gente não sabe inventa
A gente só não inventa a dor
A gente que enfrenta o mal
Quando a gente fica em frente ao mar
A gente se sente melhor
A abelha nasce e morre
E a cera que ela engendra
Acende a luz quando escorre
Da vela que me orienta
Apenas os automóveis
Centenas se movem e ventam
Certeza é o chão de um imóvel
Prefiro as pernas que me movimentam
A gente movimenta o amor
A gente que enfrenta o mal
Quando a gente fica em frente ao mar
A gente se sente melhor


quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

A Garota da capa

A garota da capa e o búfalo. Uma das fotos mais bonitas da revista
O tipo de trabalho fotográfico de que tanta mulher odeia, se é o amor dela falando: erótico.
O "meu amado" sempre falou deles, mas com comentários técnicos. Ele é fotógrafo (e dos bons). Se a mulher era bonita, falava dela, do cenário, qualidade da fotografia, locação etc. Era sempre assim que eu ouvia, até que saiu o ensaio da Garota da capa Andressa Ribeiro do Hipertensão, na Playboy.
Ele sempre me dizia que não agradava das fotografias de mulheres com animais e em poses muito abertas (de perna arreganhada), se me entendem bem!
Outro dia, enquanto eu fazia exercícios físicos, tais como levantamento de garfo e controle remoto, me deparei com a noticia de que essa tal Andressa estampava a capa da Playboy de janeiro/2011.
A foto com animal, um búfalo, e a pose "muito aberta" estavam em destaque. Logo eu liguei para o "amado" para comentar com ele e saber se tinha visto. Ouvi o que eu não queria: que foi um dos ensaios mais loucos que ele já viu! E quanto aos meus questionamentos sobre as fotos que ele tanto criticava, " a foto do búfalo ficou demais e a da pose , sem problemas! Ela tem a ¨#&*%#;@*¨%$  bonitinha!”Ao ouvir isso, chorei horrores!!! Reconheço o quanto foi besta o choro, mas algo que eu não sei explicar, o provocou. Recalque, inveja ou coisas do tipo? Jamais! A Garota da capa  é digna de todos os comentários. L-i-n-d-í-s-s-i-m-a! Deus não economizou nos atributos da moça, o fotógrafo Marlos Bakker também fez um bom trabalho, além da locação, Ilha de Marajó, que foi perfeita.

Na curiosidade de saber como eram mesmo essas fotos que o amado tanto falou, fui ontem, constrangidamente, adquirir um exemplar na banca.
Parabéns, Garota da capa! Você conseguiu encher os olhos dos rapazes fervorosamente mundo afora e os meus também... só que de lágrimas.

sábado, 24 de julho de 2010

A Chiquinha da vida real



Eu tinha onze anos. Assistindo televisão, um comercial me chamou atenção: "escreva uma carta contando o que você mais gosta no programa Bom Dia &Cia e concorra a um vale compras que serão entregues pela Jackeline Petkovic."
Enquanto duas colegas brincavam em minha casa, eu peguei o papel e o lápis e comecei a fazer o rascunho daquela que seria minha carta. Li para elas, mas ninguém deu a mínima ideia.

Hora de passar a carta a limpo. Me lembro até que falei sobre os desenhos: Pica Pau, O fantástico mundo de Bobby, A nossa turma etc. Ao final da carta, uma pequena chantagem emocional: "Se por acaso eu não ganhar, por favor, mandem um beijinho pra Jacky por mim e digam que eu gosto muiiiiito dela." Na verdade não gostava. Sempre achei aquela menina muito ruim!

A gente estava muito duro na época aqui em casa. Eu não tinha dinheiro para comprar envelope, então improvisei. Eu mesma fiz. Colori a borda de verde e amarelo com lápis de cor. Ficou bonitinho.
Na hora de fechar, eu não tinha cola. Passei esmalte mesmo. Quem iria saber?
Saí na rua toda empolgada para levar a carta ao correio. Encontrei uma vizinha e contei pra ela como havia feito o envelope (no maior entusiasmo) e ela falou: "Você jura que vai ganhar com essa carta, com esse envelope? Eles nem vão ler." Claro que fiquei sem graça e quase falei um palavrão, mas como eu não precisava da aprovação dela, segui com a carta.

Com o passar dos dias, eu via os comerciais de uma loja de brinquedos e tinha certeza que o vale compras da promoção seria trocado lá. Eu pegava a calculadora e ia fazendo as contas do que poderia comprar... A Barbie, claro, não poderia ficar de fora.
Minha mãe se preocupava com isso, pois tinha medo de que eu não ganhasse e ficasse frustrada. Ela me dizia pra parar, que eu não ia ganhar. Mas a Chiquinha da vida real estava confiante demais, tal qual a Chiquinha da tv ao comprar o limpador de pratas, certa de que seria sorteada para ir à Acapulco com tudo pago!
Apenas eu acreditava que ganharia. O próprio Professor Girafales defendeu a ideia da Chiquinha, dizendo ao Seu Madruga : "Eu lhe pergunto se não seria conveniente que os adultos tivessem um pouco dessa fé que tem as crianças?"


Como eu não tinha telefone, a vizinha do lado foi à minha casa dar o recado e pediu para que eu esperasse, porque me retornariam uma ligação. Fui lá. O rapaz da emissora perguntou se eu havia assistido o programa naquele dia. Eu disse que não e ele: "Parabéns! Você foi a primeira ganhadora da promoção!"
Fiquei bege! A carta de "envelope feio" foi lida e escolhida entre milhares. A Chiquinha da vida real estava vivendo seu momento de glória!
Muitos conhecidos até começaram a pedir que eu escrevesse cartas pra que eles também ganhassem, mas sem êxito.

Foi uma correria no dia da entrega do prêmio. Nos deram o recado errado pedindo para comparecermos às 14:30 hs, quando na verdade eram às 10:30 hs, mas chegamos a tempo.
Na hora da entrega, a Jacky estava lá. Bonita a moça, viu?
A turma vencedora seguiu até o shopping onde ficava a loja de brinquedos. Era de fato a mesma que pensei.
Em meio a tantos brinquedos, não poderia deixar de fora a minha musa Barbie, a minha primeira original.
Também pude comprar a caixa de lápis de cor de 24 cores que eu sempre quis ter na infância. Na verdade era a caixa de 36 , mas o que importava naquele dia era sair das 12 cores de sempre.
Ainda tenho muitos dos brinquedos que ganhei. Eles trazem boas lembranças para a Chiquinha da vida real que acreditou na sua capacidade e usou a simplicidade para ganhar um prêmio cujo o valor sentimental foi superior ao material.

É como o Leandro Vieira escreveu na minha agenda uma vez: [...] "Determine o que quer e corra atrás. Todos nós temos a oportunidade de conquistar nosso espaço no universo. 21/05/2002"
É o segredo do sucesso!
Vamos à Acapulco?

♪♪"Nunca deixe que lhe digam: Que não vale a pena Acreditar no sonho que se tem Ou que seus planos Nunca vão dar certo Ou que você nunca Vai ser alguém... Se você quiser alguém Em quem confiar Confie em si mesmo!... Quem acredita,sempre alcança." ♪♪
Renato Russo