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segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Direito de resposta


E o magoador viu sentido nestas palavras: "Não deixe a porta do seu coração aberta para quem está só de visita." Depois de todas as vezes que eu deixei a porta aberta, agora ele pode saber como é que eu me senti. Ainda que não tenha sido feita uma menção a mim, tenho direito de resposta. Então, saiba que o problema é quando a porta do coração tem sensor de presença: abre e fecha. Feliz e sábio é quem sabe fechá-la. Contudo, também há maçanetas que não resistem a certas mãos.

Fechar as  portas... fechar as portas... fechar as  portas... jogo bonito de palavras, mas que na prática não está diretamente ligado ao domínio humano. "Mesmo quando a razão manda, é o coração que marca o ritmo." 
Essa é pra você, magoador, que agora está no lugar de magoado. Percebe que o teu coração não é blindado? 

domingo, 10 de março de 2013

Casamento

Eu sempre fico pensando sobre os efeitos do tempo nos relacionamentos longos, especificamente nos casamentos.
Início de envolvimento é tão bom! Os primeiros olhares, os  primeiros toques, o frio na barriga, o medo de desagradar. Enfim, toda novidade contida.
Com o passar dos anos é certo que essas coisas sejam perdidas, mas ganha-se muito também como intimidade e cumplicidade. 
E o que é que mantém aceso o amor? Sabemos que eterno é aquilo que se renova todos os dias.
Outro dia, durante a aula de Estudos línguisticos e literários na faculdade, nos foi dado um poema da grande Adélia Prado e que trouxe várias respostas para mim, além de  me envolver com a intensidade do amor da noiva que resgata suas primeiras sensações com seu amado. 
Quando eu me projeto neste poema, acalmo o meu coração que  tanto espera pelo noivo e guarda a sabedoria existente na história desta noiva que não é submissa a seu homem, mas que se rende por inteira ao amor.



Casamento
 Adélia Prado

Há mulheres que dizem:
Meu marido, se quiser pescar, pesque,
mas que limpe os peixes.
Eu não. A qualquer hora da noite me levanto,
ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar.
É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha,
de vez em quando os cotovelos se esbarram,
ele fala coisas como "este foi difícil"
"prateou no ar dando rabanadas"
e faz o gesto com a mão.
O silêncio de quando nos vimos a primeira vez
atravessa a cozinha como um rio profundo.
Por fim, os peixes na travessa,
vamos dormir.
Coisas prateadas espocam:
somos noivo e noiva.



Texto extraído do livro "Adélia Prado - Poesia Reunida", Ed. Siciliano - São Paulo, 1991, pág. 252.
Saiba mais sobre Adélia Prado e sua obra em "Biografias".

domingo, 20 de março de 2011

Você tem medo de dizer eu te amo?

Minha amiga Nathalia me chama eufórica no msn, insistindo pra que eu abrisse um link.
Pelo desespero dela achei que era algo terrível, e era... terrivelmente engraçadinha a sinceridade do garoto Tan Hong Ming, o medo e a vergonha de se revelar para sua amada.
E acontece isso. O medo é causador de muitas paralizações na nossa vida. Aí a gente deixa a oportunidade de ser e fazer alguém feliz.

"Nada é tão urgente quanto o amor." (Fábio de Melo)



quinta-feira, 10 de março de 2011

Só se cura um amor com outro


Meu coração insiste em amar uma pessoa específica e vem pagando o preço. 
Sou intensa quando amo, o que não significa que esteja me anulando por amar demais. O fato é que eu reconheci o quanto tem sido exclusivista esta minha dedicação e, racionalizando, decidi tomar uma atitude: curar esse amor com outro. Esperar que outra pessoa apareça? Não! Vai muito além disso e penso que nesta hora vai me fazer sentir muito melhor, com toda certeza

Há sede de amor neste mundo, e este amor que tem sobrado em mim vou dar àqueles que, certamente, fará diferença: Aos abandonados nos orfanatos e nos asilos e às crianças que lutam para viver nos hospitais do câncer. Sei que para muitos deles apenas meu sorriso fará a diferença, ainda mais com essa disposição que despertou em mim. Amor exige dedicação.

Tempo atrás, um querido amigo, Luciano, me contou que havia deixado de encher a cara na bebida sábado à noite. Ele precisava estar impecável no domingo de manhã, pois estava indo ao Hospital da Baleia fazer trabalho voluntário, cantando e apresentando peças de teatro às crianças internadas lá. Com os olhos brilhantes, confessou-me que não há dinheiro neste mundo que pague ver no rosto daqueles pequenos a alegria que era proporcionada a eles através do voluntariado. Muitos deles não recebiam a visita dos próprios familiares. 
O amor moveu o coração do Luciano. Por conta disso ele deixou o que lhe fazia mal e foi fazer o bem. Virou outra pessoa. 

Em outra ocasião eu disse que não aguentaria ver pessoas em estados críticos de sofrimento e que me derramaria em lágrimas. Tive que rever conceitos. Amar as pessoas enquanto elas têm o que nos oferecer e estão em boas condições é fácil. Por isso resolvi superar os meus limites, guardar as lágrimas e dar apenas sorriso. E amar, e amar, e amar... Curando um amor com outro.
''A medida de amar é amar sem medida. Velocidade máxima permitida
A medida de amar é amar sem medida." (Humberto Gessinger)


"Sem essa de que: 'Estou sozinho.'
Somos muito mais que isso [..]
Eu preciso e quero ter carinho, liberdade e respeito
Chega de opressão!
Quero viver a minha vida em paz!
Quero um milhão de amigos
Quero irmãos e irmãs
Deve de ser cisma minha
Mas a única maneira ainda
De imaginar a minha vida
É vê-la como um musical dos anos trinta
E no meio de uma depressão
Te ver e ter beleza e fantasia.
E hoje em dia, como é que se diz: "Eu te amo?"

(Legião urbana, Vamos fazer um filme)



sábado, 26 de fevereiro de 2011

Dias melhores VIERAM!



Somos muito futuristas, principalmente quando há um vestígio de dor em nós. Torcemos para ver o tempo passar rápido numa velocidade superior a real e levar com ele o que doí.  Daí surgem as frases feitas, como  "Dias melhores virão". 
Hoje, pensando na vida enquanto eu estava no ônibus de volta pra casa, me veio este pensamento: Dias melhores vieram! Justamente porque o meu sofrimento comparado aos de amigos dos quais tenho recebido péssimas notícias nesta semana, tem sido bem irrelevante. É claro que cada um sabe de sua dor e a carrega ou descarrega de formas diferentes.
Pensando nisso, analisei a minha situação. Percebi o quanto é inútil fazer com que o tempo passe rápido para aliviar. O tempo só passa rápido quando a gente está ao lado de quem gosta, quando está fazendo algo que não dá vontade de parar mais, quando se está no melhor lugar do mundo. Enfim, estou aprendendo a admirar o presente e fazer diferença com ele. Vivendo de "agora"!
Olhando para trás eu vejo que dias melhores vieram para mim e talvez eu esteja deixando-os passar por acreditar que sempre o que ainda há de vir é que é bom. Conquistei muitas coisas num curto espaço de tempo e estaria sendo ingrata com a vida se não as reconhecesse.
Dias melhores vieram! E quer saber? Talvez o que esteja habitando em mim agora nem seja dor. Estou feliz demais, aliás, eu sou feliz demais. Querer que mais dias melhores venham é desperdiçar os dias melhores que vieram, os quais eu só tenho um dia para aproveitá-los: hoje!
Estou tendo pressa na felicidade. E por falar nos dias melhores que vieram, vou ali vivê-los!