segunda-feira, 24 de junho de 2013

Ser Clarice


"Eu queria tanto que você não fugisse de mim, mas se fosse eu, eu fugia*." ( Clarice Falcão)

Gosto do concreto, por isso não sei lidar com silêncios. Gosto de sentir o coração acelerado porque me faz relembrar de que estou viva. Cada batida é sinal de vida. (Clarisse Reis)

''Farei o possível para não amar demais as pessoas, sobretudo, por causa das pessoas. Às vezes o amor que se dá pesa, quase como uma responsabilidade na pessoa que o recebe. Eu tenho essa tendência geral para exagerar, e resolvi tentar não exigir dos outros senão o mínimo. É uma forma de paz." (Clarice Lispector).
Ser Clarice é ser palavra. É um dom.




*Canção de Clarice Falcão que descreve com precisão a minha "psicopatia afetiva".

domingo, 23 de junho de 2013

Sábado à noite


Sábado à noite
é o dia que as minhas ausências se aguçam e tudo me falta. O que é possível resgatar vira palavra. A palavra se transforma em presença e me faz companhia. O rádio toca as coletâneas que nunca tiveram a chance de embalar beijos, olhares, abraços e tantos outros toques. Embalam somente o meu desejo de concretizar todas essas coisas.

Sábado à noite é o dia do encontro dos namorados que enchem as praças e os castelos com luzes de neon e impregnam os lençóis com a satisfação de seus prazeres; dia das noivas deslumbrantes com seus noivos caminhando sobre o tapete vermelho em direção ao altar para jurar fidelidade e amor eterno; dia do encontro daqueles que por mim passaram com suas altas doses de bebidas na tentativa de preencher o vazio de seus abandonos.

Sábado à noite é o dia que eu  deveria me infiltrar naquele cobertor para que fosse sentido com a pele o que somente os olhos e os ouvidos sentiram. Felizmente não pude. Hoje sei que tal cobertor não pertence somente a um corpo.

Sábado à noite é o dia que o meu choro é um clamor; dia que Criador fala ao meu coração sem paciência e que se faz de surdo, que eu me rendo aos excessos, lamento paixões que se foram e as que ainda não vieram. Esse dia é espera, martírio e incerteza; é a véspera daqueles domingos que tive e que não voltarão nunca mais.
Um Sábado à noite é um dia que eu ainda quero ter.




terça-feira, 18 de junho de 2013

A Zica que é sorte para mim


São Paulo, terra onde o meu coração descansa. Esse estado maravilhoso é a minha segunda casa e eu digo isso  com muita propriedade e com o peito cheio de orgulho. Sou grata a esse lugar por toda as alegrias que me proporcionou e por um amor que eu tive conheci. Amor que se transformou em uma amizade preciosa que  está num eterno processo de sobrevivência devido aos conflitos que sempre surgem, que na maioria das vezes se devem à minha natureza impulsiva. Mas o amor não é o que "tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta"? (1 Coríntios 13:7). Amor de verdade não acaba, se transforma e se multiplica. O "amado" em questão é prova disso. Se tudo o que eu tinha por ele era Eros, agora é Filos e se multiplicou. Nessa multiplicação veio alguém que mudou a minha vida, uma Zica que é sorte para mim.

A postagem de hoje carece de palavras. É apenas uma lembrança para ti e um jeito de estarmos mais próximas,  ignorando o fator mais cruel que nos separa: a longa distância. Eu queria ter a sorte de passar ao seu lado a melhor estação do ano, o inverno. Certifico-me de que o Criador será conosco e verá o quanto merecemos estar juntas para que possamos desfrutar mais momentos felizes como aqueles de outrora e que enchem os meus olhos ao me lembrar deles.

Zica, você é um presente lindo que Deus me deu. Eu sinto sua falta porque depois que eu te vi eu não soube mais viver sem você, sem o seu riso, seu grito escandaloso, sua companhia, sua mania francesa, seu Yakisoba; Sem seus palavrões que no fundo são a sua demonstração de carinho comigo e a gente sabe disso. Sinto falta de ter o seu rosto pela manhã como a primeira coisa pra eu ver. Sinto falta de dividir o cobertor com você no inverno. Você é a minha outra metade louca, a extensão do meu coração. Ao seu lado eu tive os melhores dias da minha vida.

Por hoje é só. Nem sempre se consegue traduzir em muitas palavras o que se pode ser dito em apenas uma: SAUDADE. Se lembra quando a gente dizia "nunca te vi, sempre te amei"? O nosso amor durará para sempre, fortalecido pelo nosso encontro que enfim se deu.
Sua alcunha não é azar coisa nenhuma! Essa Zica que é sorte para mim.

Passeio em Santo André, cidade que o meu coração abriga

domingo, 9 de junho de 2013

O fim do sequestro


Um dia senti sua falta, fiz um telefonema.  Pensei em nosso casamento (num futuro distante), percebi que não estávamos na mesma sintonia e precisei partir. Por meses, quase um tempo de uma gestação, o meu bom e desarmado coração se prendeu. Foi refém. Mas chegou o fim do sequestro. O preço do resgate poderia ter sido bem maior e custado outras vidas. Teríamos vítimas fatais. Cansada desse cativeiro, pedi socorro quando sua presença se deu por apenas um minuto. O relógio marcava 23:48h em um domingo que deveria ser nosso. Você apareceu e sumiu bruscamente, então vi a chance de fuga. Implorei a Deus que você reaparecesse e acabássemos com aquela prisão. Você não voltou. O Altíssimo ouviu de mim as piores acusações enquanto ele, silenciosamente, se encarregava de responder minha prece desesperada em seu devido tempo, e eu pensando que ela levaria pelo menos uma semana para ser respondida. Imagino o sorriso dEle durante o período que me observava revoltada, como se quisesse dizer "eu estou no controle de todas coisas". Recolhi a minha indignação e permiti que o sono viesse. Lá de cima Ele cuidava de mim.

No dia seguinte, uma tranquilidade que não consigo explicar foi semeada em meu coração no inicio da noite. Você apareceria, eu pensava assim. Exatamente 24 horas depois da minha oração, a resposta. Eu podia ouvir claramente o Criador dizendo como sair do cativeiro, me dando todas as coordenadas. Foi um caminho longo, mas muito lógico. Tanto que você duvidaria da forma como o encontrei e até me chamaria de louca consumido por uma fúria que eu não gostaria de presenciar. Quando você construiu o cativeiro não pensou que pudesse ter outras saídas, mas somente as que você criou.

Nesse caminho eu pude ver suas verdades, as poucas que acredito que você tenha falado. Foi através delas que  a maior de todas as verdades e a maior das suas mentiras foram reveladas. Em cada uma, eu desejava estar enganada, quase não querendo acreditar no que via. Eu pensei ter visto o seu passado, mas  era seu presente. Ainda duvidando de tudo, a citação do seu nome esclareceu tudo o que você escondeu. Já não havia mais razões para incertezas. Enquanto eu tremia dos pés à cabeça fui invadida por um alívio indescritível por nunca ter ido além, em vez de uma raiva que poderia ser fatal (caso eu pensasse em agir por ela). Renato Russo já disse por mim outra vez: 

"Não penso em me vingar. Não sou assim. (...) Não basta o compromisso, vale mais o coração. E já que não me entendes, não me julgues, não me tentes. O que sabes fazer agora, veio tudo de nossas horas. Eu não minto. Eu não sou assim." (1°de julho)

Se a raiva tivesse habitado em mim em algum instante, o meu desejo seria de te arrastar por quilômetros, te puxando pelos cabelos que outrora eu quis afagar até que o seu sono viesse ou enquanto eu o velasse. 
Você não me deve nada, portanto não há razões para que eu faça alardes. O que de fato importa agora é que acabou o sequestro. O meu coração ainda está se acostumando com a liberdade, se restabelecendo, esquecendo-se de sua condição de cativo. Agora ele já sabe que não deve mais procurar diamantes onde só há cascalhos. Você se lembra onde eu te encontrei, não é? 

Me lembro que outro dia, enquanto eu assistia um filme* desses que você ia gostar, vi  a cena de um homem dançando com sua amada à meia luz. Me projetei na cena e nos vi dançando também, ao som do refrão "o mundo acaba hoje e eu estarei dançando. O mundo acaba hoje e eu estarei dançando com você." (Agridoce, Dançando). O mundo não acaba hoje, aliás, recomeça. O fim do sequestro veio numa dança sua e você jurando amor eterno. E agora sei que o anel que eu quis pra mim já está em outra mão.

* Filme A garota ideal





domingo, 19 de maio de 2013

Na mesma sintonia



Hoje, domingo - o dia que a vida escolheu para ser nosso - acordamos na mesma sintonia.  A minha santa espera semanal amanheceu comigo.  O seu coração tinha um motivo mais forte para bater. O meu tinha dois.
O momento mais esperado do dia: 16:00hs. Segundo as nossas narrativas profanas, estaríamos lado a lado,     contemplando o azul superando o preto e branco, mas a minha vidência falhou duas vezes. O primeiro erro dela foi sobre quantas vezes a rede balançaria. O segundo, mais importante e mais doloroso, foi sobre a sua presença. 

A possibilidade de surpresa contida em minha espera é uma realidade. A saudade que não passa é uma forma de te ter por perto e manter o meu coração ativo. Gostaria de não precisar desse recurso. 
Por onde você anda agora? Eu estou em minha casa, imaginando que você estaria na sua ou em nosso casarão da Pampulha. Lá, desde cedo, as muitas vozes que formam um coro de incentivo ecoam. Aqui, três violões ao som de Raul Seixas com a canção que tem seu nome me torturam.  Eu reluto dia após dia para não tornar verdadeiro o refrão dela: "mas tudo acaba onde começou".

As horas demoram a passar, mas passam. Vai chegando o momento da partida. Somente a companhia de quem sempre segura o meu coração tem o poder de me sustentar. Minha amiga e suas verdades absolutas.  Ela sabe diminuir distâncias mesmo desconhecendo o percurso que você e eu fazíamos. 
Já são 16:00hs e tenho certeza  de que estamos na mesma sintonia. Ainda que não estejamos juntos, nossos olhos contemplam a mesma imagem. Do nosso interior sai o mesmo som que impulsiona uma equipe. É tudo azul! 

As penalidades máximas nos devolveram a esperança. Exatamente nesta hora, eu teria dado a vida para ver o seu rosto que, certamente, seria uma alusão perfeita àquele seu estado de plenitude e satisfação. 
Eu me lembrava de você a cada lance. No gramado cinco guerreiros se destacavam. Era como se cada um deles segurasse uma estrela: Diego Souza, Borges, Caveirão (o que não teve crédito com você quando chegou), Dagoberto e Fábio, formando o Cruzeiro do sul.

Olho para o céu e vejo a constelação homônima à do nosso manto. Lembro-me de você e faço uma prece para que você volte. Esta noite eu preciso superar uma partida perdida, mas, sobretudo, preciso superar a sua partida. O que eu faço com a saudade que sinto? Quando ela já não cabe mais em mim, deixo-a escorrer pelos olhos e cair sobre o papel, transformando-as em palavras que sejam capazes de reproduzir o transtorno que é a sua ausência e que se dá porque não estamos na mesma sintonia. É por isso que escrevi agora, e eu te escrevo porque a palavra é o que nos une.

Dagoberto e seus gols que me fizeram chorar hoje
  

sábado, 27 de abril de 2013

Preciso partir


Dancei conforme a sua música, por mais que você dissesse que o ritmo era  meu. Sempre pensei que  você daria a última palavra, mas hoje, com toda sinceridade que me cabe, te digo que preciso partir.
Estou dividida. Dentro de mim há duas hipóteses que insistem em ser verdades absolutas e, em ambas, o meu coração vai sangrar. São dois caminhos que se fundem. Duas estradas que percorrerei sem que você esteja no fim de nenhuma delas. 

Em minhas bagagens só posso levar as lembranças de tudo o que você foi para mim, todo o bem que me fez e o cuidado em nunca me fazer mal. Deixo para trás a esperança, pois ela me trouxe até aqui. Só por ela eu me movia. Mas agora é necessário solidez, ainda que a realidade me pareça ser cruel. As asas que você dá aos meus sonhos, na verdade me impedem de voar.

Preciso partir antes que você perceba que o meu discurso desapegado é uma farsa, e se dê conta de sua relevância em minha vida. Ele é apenas uma defesa, pois tenho receio de que eu esteja me aproximando demais e, assim, você se assuste e se afaste. O que guardo de verdade para você só valerá a pena se for para te trazer para perto. É por isso que vou num sentido totalmente contrário à minha essência, fazendo transparecer um lado profano em mim que eu mesma desconheço. A fim de te manter ao meu redor, fui capaz de romper com a minha sacralidade, como se fosse verdade que eu, romântica incurável, te quisesse apenas como desejo carnal. Foi muito mais que isso.

Preciso partir sem o cumprimento de suas promessas. Sem desfrutar de tudo o que você diz que eu mereço e que ainda não ocorreu por ausência de tempo, como se eu fosse consumir toda sua vida. Pretexto.
Agora voltarei a ter domingos entediantes. Sua presença revigorava tudo o que este dia é capaz de afetar, fazendo com que os recomeços contidos na segunda-feira fossem trazidos antecipadamente por você. Gosto da segunda, o primeiro dia útil. Você tornava o domingo útil também.

Preciso partir mesmo sabendo que o preço desta decisão custará o meu sossego, mas só por uns dias. Você em meu lugar faria esse rompimento sem que eu ficasse sabendo as razões. Logo você, que teme o meu abandono, agiria assim. Quantas vezes você se foi sem nem ao menos deixar um beijo? Perdi as contas, e é melhor que eu as tenha perdido mesmo. Numa ruptura brusca, você partia e eu ficava à mercê de um retorno que se dava à sua maneira. Ausência inesperada.

Talvez você me peça para ficar. Me deixe ir. Sem querer parecer pretensiosa, mas é melhor que seja do meu jeito. Todo fim é triste, mas você sabe que pode recomeçar, escrevendo uma história mais profana que a nossa, e qualquer outra consegue ser.
É possível me encontrar com facilidade. Eu estarei impregnada nas mocinhas dos seus filmes, no discurso da esquerda, na cor vermelha (ora sensual, ora política, você sabe) e no azul celeste que faz o nosso coração vibrar, sobretudo contra o preto e branco.

Em mim ficarão memórias dos acordes que sempre te trazem para mim, seus raros sorrisos e o seu rosto transfigurado pelo alívio que eu sempre tinha gosto em te dar, mas nunca pude tocar. Ficarão os versos de um louco* que você me apresentou.
Em mim ficará você. Pra sempre. 
Agora preciso partir.

"O amor é uma espécie de preconceito. A gente ama o que precisa, ama o que faz sentir bem, ama o que é conveniente.
Como dizer que ama uma pessoa quando há dez mil outras no mundo que você amaria mais se conhecesse? Mas a gente nunca conhece." 
(*Charles Bukowski)

"Ela disse adeus e chorou
já sem nenhum sinal de amor.
Ela se vestiu e se olhou;
sem luxo, mas se perfumou.
Lágrimas por ninguém,
só porque é triste o fim.
Outro amor se acabou."
(Paralamas do Sucesso, Ela disse adeus)

sábado, 13 de abril de 2013

Mi pareja perfecta

Estaba tan cerca de mí. No me dí cuenta cuando lo conocí.♪ (Fuerte, Fernando Carillo)

A mí me gustaria mucho tener un novio, pero hasta hoy no encontré nadie para ser mi pareja perfecta.
Yo espero que un buen día voy a encontrarlo, sea en la calle, en el cine, en la playa, en la escuela donde trabajo o en la propia universidad donde estudio.
No sé... mientras él no llega, puedo soñar con el gran día. Imagina que yo puedo decidir como mi futuro novio será. Entonces yo quiero uno que sea así: simpático, gracioso, ¡un poquito hermoso también es bueno!
Que él sea inteligente, que tenga una linda sonrisa, sea alto, un poquito fuerte, que lleve anteojos (pues a mi me gustan los hombres que llevan anteojos); que él tenga cabellos negros, pero los ojos de cualquier color.
Pero, sobre todo, que mi pareja perfecta tenga un gran corazón, que ame a mi y a Dios también.

Para você, Guilherme, que desejou que este texto - um simples exercício da aula de espanhol - fosse compartilhado em uma página do meu diário.
Besos.

domingo, 10 de março de 2013

Casamento

Eu sempre fico pensando sobre os efeitos do tempo nos relacionamentos longos, especificamente nos casamentos.
Início de envolvimento é tão bom! Os primeiros olhares, os  primeiros toques, o frio na barriga, o medo de desagradar. Enfim, toda novidade contida.
Com o passar dos anos é certo que essas coisas sejam perdidas, mas ganha-se muito também como intimidade e cumplicidade. 
E o que é que mantém aceso o amor? Sabemos que eterno é aquilo que se renova todos os dias.
Outro dia, durante a aula de Estudos línguisticos e literários na faculdade, nos foi dado um poema da grande Adélia Prado e que trouxe várias respostas para mim, além de  me envolver com a intensidade do amor da noiva que resgata suas primeiras sensações com seu amado. 
Quando eu me projeto neste poema, acalmo o meu coração que  tanto espera pelo noivo e guarda a sabedoria existente na história desta noiva que não é submissa a seu homem, mas que se rende por inteira ao amor.



Casamento
 Adélia Prado

Há mulheres que dizem:
Meu marido, se quiser pescar, pesque,
mas que limpe os peixes.
Eu não. A qualquer hora da noite me levanto,
ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar.
É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha,
de vez em quando os cotovelos se esbarram,
ele fala coisas como "este foi difícil"
"prateou no ar dando rabanadas"
e faz o gesto com a mão.
O silêncio de quando nos vimos a primeira vez
atravessa a cozinha como um rio profundo.
Por fim, os peixes na travessa,
vamos dormir.
Coisas prateadas espocam:
somos noivo e noiva.



Texto extraído do livro "Adélia Prado - Poesia Reunida", Ed. Siciliano - São Paulo, 1991, pág. 252.
Saiba mais sobre Adélia Prado e sua obra em "Biografias".

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Sinto sua falta


Curta DIVA DEPRESSÃO no Facebook
"Sinto sua falta, não posso esperar tanto tempo assim. O nosso amor é novo, é o velho amor ainda e sempre."
Sentir falta é mais do que sentir saudade. Sinto falta de uma janela se abrindo com o seu nome e fazendo com que a minha respiração deixasse de ser uma ação involuntária, mas começasse a exigir maior esforço. Eu perdia alguns sentidos, deixando apenas a visão e o tato sob controle. Eles me levavam a você e, no nosso encontro, eu me restabelecia, reorganizava o que interiormente era só confusão.

Sua fala simples e a leveza da sua alma que sempre vinham à tona me permitiam entrar no mesmo patamar em que você se encontra, pois não exigiam lugar e moeda, somente sensibilidade. É esta sensibilidade  que te torna tão encantador. 

Sinto sua falta. A forma que eu encontrei de tê-lo por perto, por um instante, foi conhecendo suas emoções e o que te fez chorar. Coisa simples, mas de valor: um filme¹ bobo como você disse. Bobo nada! Seria exatamente a nossa história. Nós enfrentaríamos as mesmas coisas, mas o nosso final, por mais trágico que fosse, não seria o mesmo do longa metragem. 
Descobri o que causou seu pranto. Também foi o meu. Nesta hora, o pensamento que me ocorreu foi: eu queria ter chorado com você. Saber o que te fez chorar valeu mais do que ter te visto sorrir as duas únicas vezes. 

Sinto falta de ser sua exclusividade, de ser a única imagem em seus olhos famintos que me devoravam enquanto eu me movia e que se fechavam com os meus ruídos, fazendo seu rosto ficar vermelho como as minhas vestes. Reflexo. 
Isso é grandioso demais para mim. Quando vejo outras curvas femininas nas ruas desta vida, fico a pensar no que me faz ser a maior merecedora das suas atenções. Se eu não percebesse suas reações, poderia duvidar do fato. A maneira que você me via também fazia enxergar-me por dentro. Seus elogios me devolviam o que muitos, ao longo dos meus anos sem você, só me roubaram. 

Sinto falta de ter medo de você. Os seus convites às coisas boas da vida me soavam como ameaça de morte, mas era só ansiedade em vê-lo. O medo que predomina agora é de que tudo se torne apenas uma lembrança. Sua última partida repentina não te trouxe de volta. Se eu pudesse dar o recado que o meu coração tem pra você, eu bateria à porta da sua casa armada com meu violão e munida com a canção² que tem o som do nosso último encontro e que te traz de volta pra mim. Com toda a coragem que me cabe, eu faria meus acordes simples somados ao meu inglês ruim que tive que aprender pra te surpreender e eu sei que conseguiria. 

Sinto sua falta. A dúvida que permanece é por onde você anda agora?  No fundo, eu aguardo o seu retorno. Sempre vou ao nosso ponto de encontro nos dias e horários em que nos víamos. Quem sabe a minha saudade te alcance e te traga de volta?
Será que você ainda me "tem nas mãos"? Não sei. "A espera arde sem me aquecer."

A canção que segue é o meu pedido para que você retorne.
Me sinto só. Me sinto só. Me sinto tão sua. Me sinto tão sua e sou tua.





1- O filme é Era uma vez. Clique no nome do filme e assista-o no youtube.
2- Canção I am mine, Pearl Jam


sábado, 8 de dezembro de 2012

O telefonema


Alô! Senti sua falta, mesmo sem saber ao certo quem é você. No começo era André e, posteriormente, me revela seu verdadeiro nome: Pedro, igual ao menino que será gerado pelo meu ventre.
Pedro e André, ambos pescadores. Coincidência, mas não importa. De qualquer forma lançou a rede e me pegou.
Eu poderia usar somente a força do pensamento pra trazer você de volta. Não sei esperar. A espera me martiriza, castiga, principalmente se eu posso fazer algo, mesmo que soe com certa estranheza.
Minha presença teve de ser feita a partir de um incômodo, suponho. Não tive outra escolha. Somente desta forma você saberia que sua ausência era uma realidade.
Foi necessário ter coragem. Afinal, não era qualquer telefone e nem era para qualquer lugar.
Depois de ensaiar minha fala repetidas vezes, liguei.
Eu havia te procurado. Era tudo o que você precisava saber. Apenas deixei recado.
Tentei um novo contato. Quem sabe você não ficou sabendo da minha procura?
Desta vez foi pior. Ficar em pé já não era possível. O fato de pensar que eu ouviria sua voz sem saber como você reagiria, tornou meu coração um motor. Era apenas uma ligação, mas foi o suficiente para me revirar por dentro. Gosto de sentir o coração acelerado porque me faz relembrar de que estou viva. Cada batida era sinal de vida.

O  medo de não ser bem recebida era uma possibilidade. Arrisquei-me. Última chance. Quem me ouviu mal poderia imaginar que manter firmeza na voz fosse truque e por pouco eu não conseguia falar alô.
Pedi pra falar contigo. Recebi seu recado, dizendo que após o término da reunião você retornaria. Tudo retornou: minha agonia, a espera, menos sua ligação.
Foi o telefonema mais intenso da minha vida, juro.
Não sei o que passou em sua mente com a minha presença. Gosto do concreto, por isso não sei lidar com silêncios.

Espero que você sendo um bom advogado esteja a favor da minha causa e não me deixe ser condenada à uma espera que não se findará. Apareça! Assim como  diz o refrão da música de uma banda que me fez somar pontos com você: Like a stone, do Audioslave: "Vou esperar por você lá, como uma pedra. Vou esperar por você lá, sozinho."  Beijos.


.

domingo, 14 de outubro de 2012

O coração da vida



"Eu odeio te ver chorar deitada aí, nessa posição. A dor deixa o seu coração no chão. O amor vira a coisa toda de cabeça pra baixo.Não, não vai tudo pelo mesmo caminho que deveria, mas eu sei que o coração da vida é bom.
A dor deixa o seu coração no chão. O amor vira a coisa toda de cabeça pra baixo.O medo é um amigo que é incompreendido, mas o
coração da vida é bom... Eu sei que é bom."
Outro dia, enquanto eu procurava a única música do Jonh Mayer que conhecia, Good love is on the way,  me deparo com esta melodia analgésica de Heart of life. Era o que eu precisava na hora. O alívio foi imediato.
Conhecendo a letra, percebi que esta canção nada mais é o que eu devo dizer para mim quando o meu coração vez ou outra resolve sangrar. Me pego no colo, olho pra dentro de mim...E tem sido assim... 
O coração da vida é bom! O meu também.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Fechando as portas


E se tudo o que é bom durasse pra sempre? Mas não é assim. A vida nos permite experimentar vários sabores e é a intensidade deles é que tem sentido e grandeza, não o tempo que duram.

É necessário encerrar etapas para que possamos ter acesso a outras, assim como nos despedimos da infância para entrar na adolescência, da adolescência partimos para a fase adulta...

A vida é feita de chegadas e também de  partidas. Nelas há chance dos recomeços. A saudade é inevitável. Por vezes ela tem que ser o suficiente, sendo a única maneira de preservar alguém dentro de você. Este "preservar" não necessariamente significa manter a pessoa  em evidência em ti.

Fechar as portas e seguir em frente. Encerrar seu ciclo e permitir que o outro também o faça. O amor só é perfeito na liberdade. Não há nada mais grandioso do que saber que alguém voltou por vontade própria e não por pena, interesse, obrigação ou gratidão, mas porque você  foi uma escolha e a melhor que foi feita. Reconhecer e aceitar o retorno que não ocorreu é tão digno quanto.

Abro meu coração. Ele é minha porta de entrada. Se você aceita entrar, verá o quanto é intenso e verdadeiro tudo o que há por dentro dele. Porém, quando me vejo tendo que desfazer disso tudo, sofro. Não sei fechar portas. Finjo fechá-las, mas deixo sempre uma fresta para que eu possa ver partir desaparecendo no horizonte e, lamentavelmente, mantendo a esperança de que um dia volte... Não sei, de repente  alguma coisa seja esquecida para trás e tenha que voltar pra pegar ou, percebendo que a porta não foi totalmente fechada, repense e regresse.

Já tentei seguir a filosofia de vida  "carpe diem", mas sempre tenho desejo de continuidades.
Só sei abrir.Fechar as portas é algo que ainda preciso aprender a fazer... rápido.



"Não desista de nós, não desista do amor
Se minha vida é o preço, então minha vida que valerá
Não se afaste em silêncio.
 (...) Oro pra que amanhã você volte pra casa
Nós podemos reconstruir e sempre nós podemos continuar
Continuar e continuar
Nós podemos continuar, oro pra que amanhã você volte pra casa.
Olho pro horizonte e deixo a luz trazer você pra casa, trazer você pra casa."
(Creed, Away in silence)

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

O eclipse


O sol apareceu antes do esperado. A terra, fora de sua verdadeira órbita,  timidamente celebrava a chegada dele.  Em Belo Horizonte, uma linda manhã de sexta-feira que podia ser vista parcialmente da varanda do 5° andar.
O astro rei foi sua companhia por alguns minutos. Logo escondeu-se. A natureza, em agradecimento, faz desabrochar o mais bonito girassol, de pétalas e movimentos divinos. A ausência do sol  foi por uma boa razão, pois o que viria depois disso seria um espetáculo de grande proporção, de formosura imensurável.

O astro retorna. Não chegou sozinho. Trouxe consigo aquela que representa a noite: a Lua. Beleza Indescritível.
A terra há muito tempo esperava por este encontro. Nada foi premeditado. Em perfeita translação ela se aproxima e consuma a reunião mais esperada: O eclipse. Os três alinhados. O girassol assistia.
No entanto, à terra já não importava mais o sol, estava frente à frente com ela, a dama de todas as noites.  Desprovida de encantos individuais, pediu ajuda. Seu brilho é devido ao rei, pois ele é quem a torna tão iluminada.
Não demorou ser atendida. Ele manifestou sua grandeza como deveria. Em saudações à terra, dizia junto à lua: "Olá minha amiga, nos encontramos novamente!  Pouco tempo se passou, por onde devemos começar? Parece que foi eterno.*"
Naquele instante, no espaço, só havia aquela trindade. No 5° andar, a bela, o músico, sua guitarra e a espectadora.

Luna, a guitarra Fender Stratocaster Signature Jeff Beck

* Verso de "my sacrifice", do Creed. A canção que o músico tocava no momento do encontro e foi citada como a saudação.





quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Me aproximo de você

♪ If you walk out on me, I'm walking after you ♫

Odeio despedidas, mas elas são uma realidade constante para mim.
Pudera eu ser grande o suficiente para fazê-lo permanecer em minha vida. Se eu tivesse um único motivo forte para que você não pudesse ir embora...

De longe, pude ver o teu farol como uma luz no fim do túnel. Esperança.
Com passos sincronizados às batidas do meu coração, me aproximo de você.
Abro uma porta. Sorrio. O teu olhar me revela que outra foi fechada.
A porta se fecha e me fere. A cura vem em bom tom: Sol maior. Perfeito para sua voz que acompanhava o verso "Para todo mal, a cura" e para a clave que marcaria meu ombro posteriormente. Ela marcou também o teu braço.

Na estrada, o percurso que o meu coração conhecia. Ele já batera intensamente ali em um misto de medo, vontade e vergonha.
Fingi não ver as luzes que você me apresentou. Percebi seu sorriso sutil, certa de que você também teve recordações. Me contive. O desejo era de te tomar pela mão e correr sob a chuva que caia do mesmo modo do dia das lembranças que vieram. Hoje ela caia diferente: como lágrima, talvez prevendo a despedida.
Eu portava um arsenal de cor, cheiro, movimento e som, mas a  noite acabou na hora em que costumava começar.  Você não pôde ver.

Fim da estrada, me aproximo de você. A única coisa que me coube foi um aperto de mão. Peguei de volta o meu coração que estava contigo, olhei você por dentro e te agradeci por todos os outros dias, como se fosse possível caber numa frase tudo o que senti por te ter por perto, mesmo que por pouco tempo. Tempo curto, valioso e eternizado.
O quarto, por uns instantes, foi santuário. De joelhos, em oração, agradeci e chorei. O Criador estava lá.

Me aproximo de você a cada lembrança do teu olho cor das folhas que caem no outono.
Me aproximo de você a cada lembrança do teu sorriso iluminado como o sol de verão.
Me aproximo de você a cada lembrança do teu abraço, meu anseio nas noites de  inverno.
Me aproximo de você a cada lembrança do teus belos pés que me conduziram a um caminho de descobertas e recomeços, como na primavera.
Me aproximo de você a cada estação do ano, cada mês. De janeiro a janeiro.
Me aproximo de você no brilho do neon, no sabor do fruto com a massa, no riso da plateia, no coração de papel que foi tratado como arte inútil.
Me aproximo de você  a cada chuva, acorde e  solo. A cada sacrifício em minha própria prisão. 
Me aproximo de você  com os braços bem abertos..
Se você se afasta de mim, eu estou me aproximando de você. Esta canção te mantem dentro de mim.

    

domingo, 23 de outubro de 2011

Cuidado ao usar as redes sociais*

Basta um simples clique para estar conectado com o mundo. Tem sido assim nos últimos anos, devido ao crescimento da internet. Isso tem feito com que as pessoas utilizassem desse meio para obter informações sobre diversos assuntos e até mesmo se relacionarem.
No Brasil, o grande destaque deste crescimento vai para as redes sociais. Orkut ( o pioneiro), Twitter, Facebook, Tumblr e MySpace são grandes exemplos. A cada dia, novas pessoas se aderem a esses sites, fazendo com que informações cheguem mais rápido e, muitas vezes, de forma negativa. Isso porque há usuários que não ponderam o que deve ser publicado ou não na rede. Basta uma gafe e, em segundos milhares de pessoas tomam conhecimento do que poderia ficar no oculto. Aliás, deveria.
A estudante Alessandra Souza, vivenciou um período de clausura após ser ridicularizada em um site de relacionamento. Na ocasião, o namorado dela postou um video em que eles estavam em "um momento íntimo", por assim dizer. "Permiti que ele nos filmasse sem pensar que isso 'viria às claras'. O que eu faço na minha intimidade não deve ser de conhecimento de outra pessoa. Portanto, sou contra a exibição exagerada na rede a fim de se tornar uma pessoa popular, mesmo que a 'duras penas'", disse.
É de responsabilidade do usuário o controle das publicações. Assim torna mais saudável e agradável manter-se nessas redes, cuja a finalidade é fazer amigos.


* Esta foi a redação que escrevi no Enem 2011, com o tema Viver em rede no século XXI: Os limites entre o público e o privado, apresentando proposta de conscientização social que respeite os direitos humanos. Selecionando, organizando e relacionando, de forma coesa e coerente, argumentos e fatos para defender o ponto de vista.
Fiquei devendo, sei disso. Não sei se a minha proposta será aceita. Mas ainda tenho as minhas esperanças...

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Uma carta ao Amor*

Fotografia gentilmente cedida por Tiago Gonçalves que  escreve no blog  Lindo sonho delirante
Belo Horizonte, 10 de Outubro de 2011.

Amor Ágape e Eros, dois em um. 
Quando puderem, venham me fazer uma visita. Pode até ser que vocês gostem de mim e resolvam ficar para sempre, porque o Amor Plâtônico se acomodou e não quer mais ir embora... Eu já o expulsei da minha vida e não foram poucas as vezes. Não adianta... Ele sempre volta. Só muda a cara, a voz e o corpo, mas sua essência é a mesma. Cansei.
Vocês têm meu endereço e a porta de entrada está aberta, esperando-os. Fiquem à vontade e permaneçam para sempre, por favor. Este é o meu desejo.
Agradeço e despeço com vontade de que não demorem muito a chegar porque a minha vida é louca... Louca e breve.
Sem mais.
De todo coração,
Clarisse 

*Este foi o comentário que fiz no Blog da Multimulher, da minha amiga Chris Valiceli, em sua carta em que ela também abria o coração escrevendo uma "Carta aberta ao amor".
Honestamente falando: Se houvesse outra vida, eu queria ter menos ou nenhum amor platônico... E eu acho que hoje, aos 22 anos, ainda tenho muito desse tipo de amor dentro de mim

sábado, 8 de outubro de 2011

E o primeiro pedaço vai para...


Eu adoro comemorar aniversário! Se pudesse, todos os anos, eu faria uma grande festa convidando todos aqueles que fazem parte da minha vida. Os meus pais, ao longos desses quase 23 anos de minha "gloriosa" existência ( diga-se de passagem), sempre que puderam não deixaram esta data passar em branco. Recordo-me de muitas festinhas minhas e, acredite, mesmo aquelas em  que eu ainda era muito pequena, por exemplo na que eu estava fazendo apenas dois anos.

O tempo foi passando, mais aniversários chegando. Algumas coisas durante essas festas se tornam regras e chegam a nos causar constrangimentos, como  o tal   refrão " Com quem será que ................. vai casar?" Principalmente se o menino que faz o seu coração bater está presente. O nome dele é introduzido, como já aconteceu com o nome do Vinícius em  algumas das minhas festinhas: "É com o Vinícius que a Clarisse vai casar!" Quatro vezes foi assim: Aos 14,15,16 e 17 anos.
Mas coisa pior já aconteceu. E como é trágico se sentir mal no dia que é só seu. E de novo foi por causa de uma regra na comemoração.

Brincando, brincando e ao mesmo tempo dizendo verdade, acho que esta oferta não cabe a mim fazê-la porque não costumo ser bem sucedida. E a minha intenção, como a de todo aniversariante, é sempre de agradar quem a recebe. Simbolicamente representa um aspecto de afeto e uma certa preferência. Estou falando do maldito Primeiro pedaço de bolo!

Quando eu estava completando 16 anos, na comemoraçãozinha que a minha mãe fez para mim estavam presentes os meus maiores amigos da época. Ao cantarmos o parabéns, a primeira regra constrangedora apareceu: "Com quem será?"  O noivo escolhido: Vinicius, aquele por quem eu era apaixonada. Apesar de as coisas terem mudado hoje em dia e ele acabou se tornando o meu irmão. Mas esta é outra história.

 Hora de partir o bolo. O momento crucial e também aquele que me fez sentir envergonhada por um tempo: E o primeiro pedaço vai para... eu, na minha simplicidade disse: Pro Vini. Pra minha vergonha ele disse: "Não quero. Dá pra sua mãe."
Mesmo com um choro engatado, consegui repetir: mas eu estou te dando. Toma. "Não... Dá pra sua mãe."
Tomando as minhas dores, os meus amigos que de certa forma ficaram indignados com a cena por conhecerem a mim e a ele, o repreenderam até que ele pegasse. Mas pra mim, a graça já tinha acabado. Também pudera, foi na frente de todo mundo. Era só um pedaço de bolo, mesmo que fosse o primeiro pedaço. Achei que ele não poderia ter feito assim. 
Passei o dia seguinte chorando a cada lembrança da vergonha que me vinha à memória, e pensando que eu deveria ter entregue o bolo no estilo torta na cara do extinto Passa ou Repassa do Sbt.

Seis anos se passaram, e eu estava fazendo 22 anos. Este foi um dos meus melhores aniversários, o que não impediu pra que eu revivesse a experiência.
O refrãozinho já não constrangia mais porque o "noivo"  agora era uma realidade.
Ao meu lado o Vinícius e os meus pais e, à minha frente, os mesmos amigos de outrora. Mas ao término dos parabéns, do com quem será,  a frase que nunca se cala. Eu disse que seria para mim mesma e que eles, os convidados, que disputassem o restante do bolo, mas logo  me retifiquei e disse que era brincadeira. Antes fosse.  "E o primeiro pedaço vai para"... Perguntaram-me. Eu disse com a mesma simplicidade  e o desejo de agradar também, porém não esperava a resposta: "Não... não quero não!" É... Aconteceu de novo, mas nem foi o Vinícius.

Sem querer acreditar no que eu acabava de ouvir, olhei pro Vini e, certamente, todos voltaram no tempo.
A minha mãe sabendo o que isso poderia causar dentro de mim outra vez, levantou a voz em minha defesa. Mãe é fogo!
Ah, mas o choro foi inevitável. A mesma vergonha  se instalou em mim, mas era diferente. A raiva não era de quem o causou desta última vez, mas digo que ter revivido essa recusa novamente não foi fácil. Entreguei o bolo pro Vinicius mesmo, primeira pessoa que vi na hora. Acho que até pra não jogá-lo no chão. Desta vez ele não recusou, pois sabia da repercussão passada.

Sobre o autor do não ao bolo no último aniversário, a mim não cabe julgamento. Ele se  desculpou e disse que não sabia do que já tinha acontecido comigo. Sem problemas. Outras festinhas de aniversários virão e o primeiro pedaço do bolo? A gente deixa pra lá...


segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Voltando a ser menina

Fotografia gentilmente cedida por Bel Gasparotto
Uma das coisas que ajudam a me tornar verdadeiramente grande é quando eu tenho a oportunidade de voltar no tempo, sobretudo na infância, Voltando a ser menina. De tempos em tempos a vida me dá esta oportunidade.

Tenho paixão por bonecas e a Barbie é uma que me fascina. A minha primeira eu ganhei aos três anos de idade, mas ela teve o seu preço. A condição pra que eu pudesse tê-la era deixar de chupar bico. Minha mãe me disse que eu tinha que entregá-lo à moça da loja como forma de pagamento e assim eu fiz.
Ela não era original, mas era tão bonitinha! Tinha vestido de festa, uma bolsa e um par de sapatos, ambos azuis. Ainda guardo na memória a emoção de segurar a caixa dela pela primeira vez. Foi como se eu estivesse abraçando o mundo.

Os sapatos dela foram colados, pois sempre que eu os perdia, o choro era inevitável. Idéia do meu  pai.
Com o passar dos anos, ganhei outras bonecas parecidas com a Barbie. A primeira original só veio aos onze anos, prêmio da promoção que eu havia participado.


Fiquei mais velha e a admiração pela boneca continuou. Claro que as brincadeiras cessaram, embora eu não vejo problema algum em pentear o cabelo dela. É até uma forma de fazer o que na infância era impossível, já que ao molhar as mechas, elas se ressecavam. As bonecas similares a Barbie tinham este problema, mas eu gostava de encher o tanque para servir de piscina pra elas.
Há 4 anos me vi voltando a ser menina de novo. Na ocasião, até o porta voz do tempo foi muito bem escolhido pela vida. Como presente de aniversário de 19 anos, eu receberia uma Barbie dele: O MédicoDepois desta promessa, foi gerada em mim uma grande expectativa em receber tal agrado. Fiquei igual a uma menina mesmo.

Por motivos pessoais nossos, o envio do presente era frequentemente adiado. O que não me deixava desistir é que eu sabia que ele cumpriria com o que disse assim que pudesse, e a hora chegou! Em maio deste ano ( aos 27 dias, para ser mais exata) ele me deu a notícia de que ela em breve chegaria. Pude vê-la quando ele me mostrou pela webcam. Linda!!! Ele disse que sabia que eu ia gostar. Não errou.
 A postagem do presente  só foi feita quase dois meses depois, diria eu que  foi no tempo perfeito.
O médico me mandou uma mensagem dizendo que na Segunda-feira daquela semana ela chegaria aqui. Ah, mas os Correios sabiam da importância desta entrega com certeza! No Sábado, ela foi entregue no meu trabalho. Não pude me conter. Eu fui invadida por uma imensa alegria que, segundo a minha gerente Diana, dava gosto de ver. Eu mal conseguia segurar a caixa, assinar o papel muito menos! A Diana fez isso por mim, além de abrir a caixa do Sedex devido a  minha tremedeira.
Mesmo com receio de estar incomodando-o, liguei para ele a fim de que soubesse o quanto eu estava feliz e o quanto a achei linda!

Foi notável o cuidado com que foi escolhida. Ele se lembrou dos detalhes ao me contar sobre a boneca, me disse que havia outras tão bonitas quanto, mas já que eu havia me decidido por aquele modelo., a Médica, pra que eu sempre pudesse me lembrar dele. A menininha, a paciente, subliminarmente representaria a "pequena” (adjetivo pelo qual ele me trata).

Quando eu escrevi sobre este Médico e toda a sua representação na minha vida, ele disse que retribuiria com  tempo e capricho com que eu merecia. E conseguiu, viu amigo!  Hoje eu não posso pedir outra coisa a não ser que Deus te conserve sempre assim : esta pessoa grandiosa que você é.

Querido Vagner, agradeço pela alegria de valor imensurável que me você me proporcionou. Como recompensa, eu gostaria que a sua vida, nas minimas coisas, fosse repleta de toda a intensidade que houve em mim ao receber seu presente. Prometo cuidar bem da minha doutora.

Voltando a ser menina eu reafirmo que um dos segredos das grandes conquistas está na espera . O tempo tem seus truques para fazer as coisas serem perfeitas. Estes foram os quatro anos mais bem esperados que tive!

Tudo fez formoso em seu tempo. ( Eclesiastes 3:11)




segunda-feira, 27 de junho de 2011

Com a palavra, a Cabeça


''Ai meu DEUS!!! DONA CLARISSE REIS... me fez chorar sabia?!?! Estou sem palavras para agradecer a linda homenagem, que há tanto espero e que me fez surpreender!
Poxa "cara de concha" fiquei muito feliz pela postagem, realmente não esperava tudo isso... e calhou de vir num momento em que realmente fez bem á "Cabeça" e ao coração.
Você não imagina como fiquei feliz ao ler o post, saiba que você é uma pessoa que admiro muito, alguém realmente especial, e receber esta surpresa fez o meu dia muito mais feliz. Tomara que a gente continue assim, sempre trocando gestos de amizade e consideração.
As palavras são impregnadas de vibrações, por isso não devemos perder nenhuma oportunidade de manifestar bons sentimentos. Quero muito agradecer por tudo que a nossa amizade tem me proporcionado com sua atenção, carinho e consideração... 
É engraçado como as pessoas passam rápido por nossas vidas e nos deixam marcas tão profundas... Minha amiga linda... sim! linda por dentro e por fora; Você é uma daquelas pessoas raras com um objetivo único de dar alegrias as pessoas que lhe cercam... Que Deus pague tudo isso... pois com certeza nunca poderei pagar tanta gentileza... 
Obrigada pelas lindas palavras sucintas que me emocionaram na manhã do meu nome Sabbado rs... e Obrigada ao meu lindo e querido primo "Musico" pela mais que maravilhosa homenagem... obrigado por tudo...
Amo muito vocês people, beijão apertado em cada um!!!''